" Não tens também o pressentimento de que acabou o prefácio?"
Falar em segredo, guardar segredo, fazer segredo, partilhar o segredo, efabular, misturar a fantasia com a realidade... em segredo
Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
do não saber
Por muito que me expliques e apontes razões, não poderei perceber nunca.
Não por não poder ou por não querer.
Por não saber, apenas isso. Por não saber como, entre o nosso mundo e o outro, tu deixaste de ser quem és, enquanto que eu permaneci igual.
E é isso que não sei.
Mudaste assim tanto? Foi o nosso mundo que mudou?
Foi culpa minha não ter mudado?
Então, vou partir, vou sair daqui, deste mundo que me parecia ser imutável.
Não és tu que voas, sou eu.
Filomena, fevereiro 12
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
volta e meia
imagem do google
Às vezes penso que o coração das pessoas é como um poço sem fundo. Ninguém sabe o que se encontra no seu interior. Não temos outro remédio senão dar largas à imaginação a partir do que aparece volta e meia, à tona."
Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
Noutra vida
- Se me lembro?
- Sim.
-Claro que lembro!
- Conta.
- Chegaste atrasada, os cabelos em desalinho e um brilho especial nos olhos. Sorriste, olhaste à tua volta e disseste:" amo isto, gosto de ti" , deste-me um beijo rápido. Entraste em casa e eu segui-te e tu rias de braços abertos. O sol iluminava-te. E tu rias. E eu amei-te. Como tu gostas.
- E foi a última vez?
- Foi. Há muitas vidas atrás.
Filomena, fevereiro 12
- Sim.
-Claro que lembro!
- Conta.
- Chegaste atrasada, os cabelos em desalinho e um brilho especial nos olhos. Sorriste, olhaste à tua volta e disseste:" amo isto, gosto de ti" , deste-me um beijo rápido. Entraste em casa e eu segui-te e tu rias de braços abertos. O sol iluminava-te. E tu rias. E eu amei-te. Como tu gostas.
- E foi a última vez?
- Foi. Há muitas vidas atrás.
Filomena, fevereiro 12
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
pegar, sentir, tocar, ser
imagem do google
"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Uma coisa em comum
Eles amavam-se. Há muito tempo. Era certo e sabido.
Depois de tantos anos, todas as vezes eram como se fosse a primeira. A mesma paixão, o igual deslumbramento, os rubores e calores e os calafrios também.
Os instantes, pequenos ou mais longos, em que estavam juntos eram únicos. Que lindo era aquele amor.
Um dia( há sempre um dia) um deles, ou foi ele ou foi ela, não interessa agora! lembrou-se que além daqueles instantes em que se amavam, e que eram só deles, nada mais tinham em comum. E de repente sentiram urgência em ter uma coisa em comum. Uma coisa em comum, uma coisa em comum, uma coisa em comum... algo que pertencesse aos dois e não fosse de mais ninguém.
E como em todas as histórias, pensaram, pensaram, pensaram, deram voltas à cabeça e acharam, encontraram,descobriram uma coisa só deles.
Que bom, que alegria e felicidade. Ela bateu palmas e ele sorriu satisfeito...
Mas, havia qualquer coisa que não estava bem, qualquer coisa que não se coadunava, que não era adequada.
Qualquer coisa a mais... ou a menos.
Olharam-se nos olhos. Onde estava a paixão, a loucura, onde estava aquela ternura magnífica de que só eles sabiam, que só eles conheciam, onde morava a cumplicidade, onde se escondera o amor?
Tornaram a olhar-se e perceberam. Tudo.
E a coisa em comum lá ficou. Era deles, só deles. E onde estavam eles?
Porque razão não lhes bastou o amor? Porque tinham querido mais?
Agora, estavam de mãos vazias. Com uma coisa em comum.
Filomena, fevereiro 12
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
A casa do tempo perdido
imagem do google
"Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado. "
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado. "
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
Por fim
imagem do google
Desta vez eram as lágrimas. As minhas. Silenciosas. Eram elas que, na sua tristeza de silêncio e líquido, inundavam a casa que soçobrava naquele mar de sal e dor.
Tu perdias o teu sonho.
Eu chorava.
A casa desaparecia.
Numa tristeza de águas.
Por fim.
Filomena, janeiro 12
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
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