Eles amavam-se. Há muito tempo. Era certo e sabido.
Depois de tantos anos, todas as vezes eram como se fosse a primeira. A mesma paixão, o igual deslumbramento, os rubores e calores e os calafrios também.
Os instantes, pequenos ou mais longos, em que estavam juntos eram únicos. Que lindo era aquele amor.
Um dia( há sempre um dia) um deles, ou foi ele ou foi ela, não interessa agora! lembrou-se que além daqueles instantes em que se amavam, e que eram só deles, nada mais tinham em comum. E de repente sentiram urgência em ter uma coisa em comum. Uma coisa em comum, uma coisa em comum, uma coisa em comum... algo que pertencesse aos dois e não fosse de mais ninguém.
E como em todas as histórias, pensaram, pensaram, pensaram, deram voltas à cabeça e acharam, encontraram,descobriram uma coisa só deles.
Que bom, que alegria e felicidade. Ela bateu palmas e ele sorriu satisfeito...
Mas, havia qualquer coisa que não estava bem, qualquer coisa que não se coadunava, que não era adequada.
Qualquer coisa a mais... ou a menos.
Olharam-se nos olhos. Onde estava a paixão, a loucura, onde estava aquela ternura magnífica de que só eles sabiam, que só eles conheciam, onde morava a cumplicidade, onde se escondera o amor?
Tornaram a olhar-se e perceberam. Tudo.
E a coisa em comum lá ficou. Era deles, só deles. E onde estavam eles?
Porque razão não lhes bastou o amor? Porque tinham querido mais?
Agora, estavam de mãos vazias. Com uma coisa em comum.
Filomena, fevereiro 12