Da tristeza que sentimos quando, no domingo ao preparar a casa para o Natal, percebemos que a estrela para colocar em cima da árvore, tinha desaparecido. Remexemos os caixotes, remexemos o sótão, olhámos um para o outro entre surpreendidos, desiludidos e magoados.
É que a nossa estrela tem uma história: foi feita pelo avô Paulo, no primeiro Natal do seu casamento. Imagino esse avô ainda jovem, a trabalhar os arames para fazer as cinco pontas, a revesti-lo de bocadinhos de fita dourada que, com o passar dos anos, perdeu o brilho e era agora de um amarelo baço... o amarelo da nossa estrela.
Bem, o que não tem remédio remediado está. O meu marido apareceu na segunda feira munido de arame e boa vontade. A estrela de Natal passaria a chamar-se daqui a uns bons anos" a estrela do avô Zé" e também vais fazer a espiral para se poder colocar na árvore? " claro, ou queres ficar tu com a estrelinha na mão?".
Mas não era a mesma coisa... nestas alturas( e noutras!) eu persisto em procurar onde já foi procurado e noutros locais... sei lá eu" Gaspar, espero que a nossa estrelinha tenha iluminado o sono de algum menino, ou que tenha feito brilhar o sorriso de alguém que estivesse triste".
Claro que o Gaspar tem de entrar na história. Feliz da vida ele estava fazendo rolar as bolas que eu espalhara pelo chão, numa ânsia última de encontrar a estrela. Lá vai ele com uma maçã na boca todo lampeiro esgueirar-se na lareira." Gaspar, aí não! Não!" e num repente, no meio do jarrão de flores secas, oh! aquilo... é a estrela.
Tinha estado todo o ano naquele canto, se calhar tinha saído sorrateiramente do caixote que esperava para ser arrumado, e tinha ficado cá em baixo a luzir para nós. A iluminar as nossas vidas ao longo de todo um ano.
A nossa Estrela do Natal. Repousa agora, como todos os anos, no cimo do abeto. Com mais uma história para se ouvir.
E o Zé, vai igualmente fazer uma estrela, a sua. Estrelas, nunca são demais.
Filomena, dezembro 11