Sábado, 31 de Janeiro de 2009
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

E com as flores que deixei cair de minhas folhas de violeta amadurecida, pedi ao meu anjo-da-guarda que bordasse, com linhas de eternidade, um céu branco e lilás para ser o dia da noite do meu amor.
Linda princesa

Quanto a mim, apenas plebeu.
Mas no desvio, no desvario meu,
Sonho sempre com a tua nobreza.
És princesa no todo, por inteiro:
Na cor e corpo; alma e no coração...
Eu, por desconhecer a razão,
Tornei-me apenas carpinteiro.
Carpinteiro de sonhos, sentimentos...
Pobre – quanto a arrependimentos.
Nobre – quanto ao saber amar.
Carpinteiro de palavras, pensamentos...
De prata – quanto ao encantamento.
De ouro – quanto ao saber sonhar.
( Marcos Aurélio Mendes )
Alfred de Musset
Eu perdi minha vida e o alento,
E os amigos, e a intrepidez,
E até mesmo aquela altivez
Que me fez crer no meu talento.
.
Vi na Verdade, certa vez,
A amiga do meu pensamento;
Mas, ao senti-la, num momento
O seu encanto se desfez.
.
Entretanto, ela é eterna, e aqueles
Que a desprezaram - pobres deles! -
Ignoraram tudo talvez.
.
Por ela Deus se manifesta.
O único bem que ainda me resta
É ter chorado uma ou outra vez.
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Momentos de boa disposição
Estas imagens de boa disposição e franca camaradagem, foram tiradas lá na escola, no último dia de aulas do 1º período. Momentos bons que sabe sempre bem recordar.
As verdades... agora

- O que é que nós temos?
- Como assim?
- Isto que existe entre nós, o que é?
- Sei lá... atracção... química?
- Porque é que teimas em dizer que, o que existe entre nós, não é amor?
- Porque é que teimas em perguntar?
- Tenho sempre a esperança que digas que é amor o que existe entre nós!
- Não te sentes bem com a química, com a atracção?
- Não. Hoje quero que me digas algo muito belo, algo muito bonito que me faça sorrir quando estou longe de ti!
- ... eu digo. Eu não fui feita para ti, fui feita a partir de ti.
-Oh! e isso é verdade?
- É verdade. Agora.
Filomena, Janeiro 09
As penas do amor

Sobre os telhados a algazarra dos pardais,
Redonda e cheia a lua - e céu de mil estrelas,
E as folhas sempre a murmurar seus recitais,
Haviam esquecido o mundo e suas mazelas.
Então chegaram teus soturnos lábios rosas,
E junto a eles todas lágrimas da terra,
E o drama dos navios em águas tempestuosas
E o drama dos milhares de anos que ela encerra.
E agora, no telhado a guerra dos pardais,
A lua pálida, e no céu brancas estrelas,
De inquietas folhas, cantilenas sempre iguais,
Estão tremendo - sob o mundo e suas mazelas.
( William Butler Yeats )
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
The sound of music
Lullabies, school songs, anthems, battle hymns, work songs, chanteys, love songs, bawdy songs, laments, requiems.They`re there in every age of life, for every occasion, in the sepulchral voices of the choir, in the stomp and shout of the whorehouse piano player. But all songs are songs of justification.E. L. Doctorow, novelist
Rumo

É tempo, companheiro!
( Alda Lara, poetisa Angolana )
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!
Vamos, companheiro ...
É tempo!
Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!
Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Imagem

Tão brando é o movimento
das estrelas, da lua,
das nuvens e do vento,
que se desenha a tua
face no firmamento.
Desenha-se tão pura
como nunca a tiveste,
nem nenhuma criatura.
Pois é sombra celeste
da terrena aventura.
Como um cristal se aquieta
minha vida no sono,
venturosa e completa.
E teu rosto aprisiono
em grave luz secreta.
Teu silêncio em meu peito
de tal maneira existe,
reconhecido e aceito,
que chego a ficar triste
de vê-lo tão perfeito.
E não pergunto nada.
Espero que amanheça,
e a cor da madrugada
pouse na tua cabeça
uma rosa encarnada.
(Cecília Meireles )
Presentes
Também eu quero enviar este"selinho" como dizem os nossos irmãos do outro lado do mar, a dois blogs que são, quanto a mim, os mais bonitos daqueles por onde me passeio : o blog da Patrícia( de quem sou a fan número um ) e o blog da Clara( que tem recantos maravilhosos e únicos).
Espero que elas os aceitem com o mesmo prazer com que eu recebi o meu.
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Em segredo

Acredito que desejes estar abraçado a mim durante muito tempo. Acredito quando me dizes que adoras guardar o meu cheiro em ti. Acredito que os teus olhos brilhem mais quando me vês.
Acredito no teu corpo tão dentro do meu corpo.
Acredito quando me dizes isso tudo e muito mais.
Acredito que gritas baixinho o meu nome que tu guardas, em segredo, no teu peito.
Filomena, Janeiro 09
Todo o amor do mundo não foi suficiente...

Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
( José Luís Peixoto )
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
A Manuela é que sabe !
Se eu tivesse dez malinhas
Cheias de coisa nenhuma
Enfeitadas de florinhas
Ou de peixinhos vermelhos
.
Baptizava-as de esperança
Ou quem sabe de bonança
Numa guardava alfazema
Na outra salsa frisada
.
Quando estivesse a pingar
Levava uma aos quadradinhos
Toda vistosa
Aos folhinhos
.
Mas se fosse o sol a brilhar
Era uma amarelinha
Com estrelas a cantar
E eu assim a passear
.
Numa guardava limão
Que é para desenjoar
Uma pedra de sabão
Com bolinhas pelo ar
.
E na mais bela de todas
Colocava um coração
Bordado a ponto cruz
E depois fechava a luz
.
Manuela Baptista
Estoril,26 de Janeiro 2009
Histórias, paixões, amores verdadeiros e malas

Guardei o jeito de saber ouvir.
E se calhar, é precisamente por isso que as pessoas me continuam a contar as histórias, agora bem reais... as chamadas histórias de vida.
Assim, vão-me surgindo narrações ricas em vivências e experiências.
Há uns tempos, alguém, falando-me a propósito do amor e da sua história dizia-me:" essa pessoa amou-me até à exaustão"...
Uma outra ,falou-me de um amor antigo e sempre vivo, e que já durava há mais de três décadas por alguém a quem perdera o rasto, e que tinha subitamente reaparecido passados todos estes anos.
No decorrer da conversa disse-me:"se eu não o tivesse reencontrado e se por acaso soubesse que eu estava para morrer,teria de pedir a alguém que mo encontrasse,pois teria de ser nele que ficaria o meu olhar antes de partir."
Histórias que me dão que pensar...
Eu nunca amei ninguém até à exaustão.
Igualmente ninguém que eu saiba assim me amou.
Estar mais de trinta anos a amar uma pessoa que desapareceu na voragem dos dias, eu não era capaz.
Dou por mim a concluir que apesar de falar muito de amor se calhar, não percebo nada dele.
Dou por mim a pensar...
Dou por mim a pensar que sou capaz de morrer de amores por uma mala ou por um par de
sapatos.
Dou por mim a pensar que não resisto e vou a correr comprar mais um amuleto para a minha Pandora... porque" morria se não comprasse um murano, hoje"
Dou por mim a pensar que se um (des)conhecido me oferece flores, me atira um beijo, me lança um olhar à matador, ou flirteia... deve ser mesmo por causa das malas, das pulseiras e dos sapatos.
Amar até à exaustão,deve cansar, deve moer, deve ser doloroso.
Dou por mim a pensar que andar apaixonada por uma mala, é bem capaz de ser melhor do que suspirar por um amor desaparecido a vida inteira...
Ou estarei apenas a reservar, a esconder o meu coração?
Filomena, Janeiro 09
Domingo, 25 de Janeiro de 2009
Serão palavras só...
Ler poesia

Ler poesia é torná-la nossa, que a voz, tanto como os olhos, quer se queira quer não, é espelho da alma.
Ler poesia é como representar, é inventar quem fala, é reinventar um poeta e recriar o momento de escrever.
Por isso é importante escolher o que se lê, não ler qualquer coisa, amar o que se diz, decidir que palavras vão passar a fazer parte de nós e serão daí em diante também a nossa memória e nos irão ajudar também a escrever e a ler novas palavras, a estar com os outros.
( Luís Miguel Cintra )
Ainda Gershwin
Se quando escrevo
Pudesse ter a sonoridade
Não de um
Mas de dois pianos
Na simultaneidade de notas
Por eles tocadas
O cromatismo das palavras seria tal
Que Gershwin
Ou as vítimas do nine/11
Teriam
Apenas uma maneira de o descrever
Rapsódia de azul celeste
Celebrando-os com uma só palavra
Amor
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Janeiro de 2009
Sábado, 24 de Janeiro de 2009
Eu sei quando tu vens

nem consultar meu vasto coração
para saber os dias e os momentos
em que me vens trazer consolação...
A mim me basta olhar pela janela
e abraçar a manhã no meu jardim,
pois sei que a claridade que vem dela
é a luz do teu amor dentro de mim...
Deixo a brisa tocar a minha face,
ouço as aves que vêm me visitar
e sei de cada rosa que renasce
o teu mágico instante de chegar...
Converso com o vento no telhado
onde o tempo costuma te esperar
de um futuro presente antecipado
por anjos que me vêm te anunciar...
No canteiro de beijos e jacintos
o odor suave de uma flor qualquer
inflama de desejos meus instintos
famintos de teu corpo de mulher...
Então eu sempre sei quando tu vens
sem que precises avisar-me quando...
O amor proclama quando tu me tens
e me prepara quando estás chegando.
( Afonso Estebanez Stael )
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Lya Luft

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
O jogo errado

Este dia.
Hoje.
Esta incerteza nas tuas certezas, nas tuas palavras, nos teus olhos tão felizes, tão perdidamente enamorados.
Este dia.
Hoje.
Esta tristeza de sentir o teu olhar salgado em mim.
Este dia.
Hoje.
Este medo que não consigo explicar,pois não devia ser assim, porque não era isto que devia ter acontecido.
Agora,
depois dos dados lançados...
Filomena, Janeiro 09































