Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Noutra vida

- Se me lembro?
- Sim.
 -Claro que lembro!
- Conta.
- Chegaste atrasada, os cabelos em desalinho e um brilho especial nos olhos. Sorriste, olhaste à tua volta e disseste:" amo isto, gosto de ti" , deste-me um beijo rápido. Entraste em casa e eu segui-te e tu rias de braços abertos. O sol iluminava-te. E tu rias. E eu amei-te. Como tu gostas.
- E foi a última vez?
- Foi. Há muitas vidas atrás.






Filomena, fevereiro 12

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

pegar, sentir, tocar, ser


imagem do google



"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo." 

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Uma coisa em comum

Eles amavam-se. Há muito tempo. Era certo e sabido.
Depois de tantos anos, todas as vezes eram como se fosse a primeira. A mesma paixão, o igual deslumbramento, os rubores e calores e os calafrios também.
Os instantes, pequenos ou mais longos, em que estavam juntos eram únicos. Que lindo era aquele amor.
Um dia( há sempre um dia) um deles, ou foi ele ou foi ela, não interessa agora! lembrou-se que além daqueles instantes em que se amavam, e que eram só deles, nada mais tinham em comum. E de repente sentiram urgência em ter uma coisa em comum. Uma coisa em comum, uma coisa em comum, uma coisa em comum... algo que pertencesse aos dois e não fosse de mais ninguém.
E como em todas as histórias, pensaram, pensaram, pensaram, deram voltas à cabeça e acharam, encontraram,descobriram uma coisa só deles.
Que bom, que alegria e felicidade. Ela bateu palmas e ele sorriu satisfeito...
Mas, havia qualquer coisa que não estava bem, qualquer coisa que não se coadunava, que não era adequada.
Qualquer coisa a mais... ou a menos.
Olharam-se nos olhos. Onde estava a paixão, a loucura, onde estava aquela ternura magnífica de que só eles sabiam, que só eles conheciam, onde morava a cumplicidade, onde se escondera o amor?
Tornaram a olhar-se e perceberam. Tudo.
E a coisa em comum lá ficou. Era deles, só deles. E onde estavam eles?
Porque razão não lhes bastou o amor? Porque tinham querido mais?
Agora, estavam de mãos vazias. Com uma coisa em comum.

Filomena, fevereiro 12



Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

A casa do tempo perdido


imagem do google


"Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado. "



Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Por fim


imagem do google


Desta vez eram as lágrimas. As minhas. Silenciosas. Eram elas que, na sua tristeza de silêncio e líquido, inundavam a casa que soçobrava naquele mar de sal e dor.
Tu perdias o teu sonho.
Eu chorava.
A casa desaparecia.
Numa tristeza de águas.
Por fim.


Filomena, janeiro 12